Regis Abreu, sócio da Mercatto Gestão de Recursos e vice-presidente da Amec, diz em artigo que os livros de finanças nos dizem que passivos como os carregados pelos fundos de pensão devem mirar ativos de longo prazo e, de preferência, com grande segurança jurídica na relação que une ativo e investidor, que é a chamada boa governança. Entretanto, esse é um aspecto que não está presente nos portfólios previdenciários. Há exceções a essa regra, como a Previ, do Banco do Brasil, que além de se tornar uma das principais investidoras de várias das maiores empresas do país, transformou-se em indutora do aprimoramento de governança. Cabe citar os casos de conversão de ações preferenciais em ordinárias de Perdigão e Embraer. Além de terem guindado essas companhias a outra categoria de reconhecimento e avaliação, tais operações geraram valor extraordinário para o portfólio da Previ, a ponto de seu atual superávit corresponder a mais da metade do superávit geral do sistema.
Experiências bem-sucedidas, como essas, dividem a cena com a atrofia de seleção do sistema, que também causou uma profunda limitação na oferta de serviços por parte do mercado. Hoje, são comuns os mandatos que objetivam seguir modelos prontos, como o CDI ou o Índice Bovespa, para quem tem passivos longos e com parte prefixada.
Tal distorção está retratada nos laços comerciais que unem a indústria de previdência complementar e o mercado financeiro_ Nessa relação, paga-se muito pouco por um serviço que, de fato, vale praticamente zero, mas que nunca se adequou plenamente às realidades atuariais daquele sistema. E, a partir de agora, tende a adequar-se muito menos.
“Quando pensamos com essa ótica, percebemos que seguir o Ibovespa talvez seja uma aberração maior do que acompanhar o CDI, dado que quem investe para 20 anos deveria, antes de se preocupar com estatísticas de risco, pensar no arranjo de governança que protege aquele investimento. Também seria importante lembrar que os direitos inerentes ao ativo precedem tais estatísticas”, diz no artigo.
